O QUE É A CAMPANHA

    A Amazônia e seus povos são continuamente alvos de explorações sem limites que colocam em risco toda a vida daquele território. Com o avanço da pandemia do novo coronavírus torna-se ainda mais alarmante a situação uma vez que desmatamentos, queimadas, mineração, grilagem e garimpo, por exemplo, não dão trégua, pelo contrário, parecem ampliar as ações uma vez que o olhar tende a se deslocar para demandas que, para os povos, é mais urgente: o cuidado e a defesa da vida. Nesse sentido, são urgentes as ações de solidariedade para garantir a existência dos Povos Originários e das Comunidades Tradicionais, em seus territórios e nas cidades da Amazônia, no contexto da pandemia e dos graves ataques à Amazônia.

   A Igreja vem trabalhando estes temas desde o tempo do Sínodo da Amazônia. As escutas em todo processo sinodal possibilitaram que os povos pudessem registrar seus apelos e necessidades, que ganharam grande repercussão em outubro de 2019 quando na realização da assembleia sinodal o próprio papa Francisco fez ecoar os gritos da Amazônia e de seus povos para todo o mundo. É no contexto do pós-Sínodo agora, portanto, que se dá esta ação de mobilizar, ainda mais, as pessoas, organizações nacionais e internacionais para que tenham atenção para aquela região e seus povos.

    Várias iniciativas importantes neste sentindo já vêm sendo tomadas pelas lideranças dos Povos Indígenas, com uma série de ações; pelos Bispos da Amazônia, que emitiram nota pública com uma série de exigências aos governos estaduais e federal; pela REPAM, em nota pública internacional; por vários artistas em favor dos Povos Indígenas; pelos cientistas propondo medidas e que se escutem as demandas da ciência; pelo CIMI; pela  CPT; pelas Cáritas e tantas organizações nacionais e internacionais. O próprio papa Francisco, por ocasião da festa de pentecostes, após a oração do Ângelus fez uma apelo em apoio à Amazônia: “Hoje, festa de Pentecostes, invoquemos o Espírito Santo para que dê luz e força à Igreja e à sociedade na Amazônia, duramente provada pela pandemia”. E Francisco foi ainda mais incisivo: “Cuidar das pessoas, que são mais importantes do que a economia. Nós, pessoas, somos o templo do Espírito Santo; a economia, não.”

    Pelo vídeo da reunião ministerial do 22 de abril, divulgado pelo pelo STF, ficou escancarado o plano deliberado do Governo do Brasil de anulação e silenciamento dos povos indígenas. “Esse país não é [uma colônia]. Odeio o termo ‘povos indígenas’, odeio esse termo”, afirmou o ministro da Educação, Abraham Weintraub. Em relação a agressão à Amazônia  foi dito, ainda, que “precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid-19 e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”, declarou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Tais discursos não podem ficar sem respostas.

    Vale destacar que importantes atores da comunidade nacional (Frente Parlamentar para os Direitos dos Povos Indígenas, Comissão de Direitos Humanos e Minorias) e internacional estão atentos e preocupados quanto ao perigo que corre a Amazônia e seus povos, inclusive com iniciativas de grande repercussão, mas até aqui, de insuficiente incidência. Estão sendo organizadas ações de denúncia e reivindicação em nível internacional (CIDH, Relator ONU para os povos indígenas, Parlamento Europeu...) que precisam ser acompanhadas e ter uma maior incidência.

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